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Teoria da Conspiração |
Eu já percebi que nos dias que correm os bodyboarders estão muito sensíveis e tudo o que se diga sobre o seu desporto corre o risco de ser criticado/vaiado/excomungado.
Isso não é nada bom, pois com o tempo podemos vir a perder a massa crítica que tão essencial é à evolução, renovação, e até superação deste nosso desporto...
De qualquer forma, aqui vai: o assunto que trago a discussão, e visto estar a dias de iniciar, é o Pipe Pro e a entrada em cena da GoPro. Escusam de começar a preparar os tomates e os ovos podres, pois tratam-se de boas notícias e eu, tal como vós, só viso celebrar o facto de uma das etapas mais míticas de sempre ter sido salva no último minuto.
Apesar das limitações, as GoPro são realmente divertidas e cumprem na perfeição o propósito para que foram concebidas. De tempos a tempos, quando tenho tempo e paciência, eu próprio gosto de explorar as suas potencialidades e aconselho vivamente já que os resultados têm sempre o condão de surpreender (mais abaixo deixo-vos uma pequena brincadeira que fiz propositadamente para esta peça).
Só tenho pena que o distribuidor português - e até mesmo o fabricante mundial - nunca tenha tido a amabilidade de responder a qualquer um dos nossos contatos ao longo dos anos. Mas isso não interessa nada para agora, não é? Afinal de contas a GoPro e o bodyboard são agora os "melhores amigos" e o tempo é de celebração. Ahahah! (caso não percebam, o meu sorriso está carregadinho de ironia!)
Contudo, o que não consigo mesmo deixar passar em branco é a atuação da IBA. Então a entidade que rege o desporto PROFISSIONAL, a nível MUNDIAL, que apresentou um calendário e uma série de provas em dezembro, veio agora dizer (há coisa de duas semanas) que não há patrocinadores! Mas isto passou a ser assim? E só eu é que acho isto estranho?
Isto levanta imediatamente outra questão de fundo que se prende, nomeadamente, com a sanidade do circuito e com o facto de todas as etapas apresentadas estarem ou não realmente confirmadas. Será que daqui para a frente vai passar a ser assim? Isto é, salvar etapa após etapa...
Obviamente, nós (eu e vocês) não somos parvos nenhuns e percebemos que a celeridade em revelar o calendário 2013 deu-se, em boa parte, com o objetivo de abafar o ruído estrondoso que a saída de Terry McKenna provocou. No entanto, como se viu, um mês mais tarde acabámos por perceber a marosca e dar conta da fragilidade evidente da IBA (diria mesmo, capaz de se desmoronar a qualquer momento); e, por muito que nos custe aceitar, tudo o que nos resta é ficar com um sabor amargo na boca.
Eu sei bem que as marcas de bodyboard, na sua maior parte, são governadas por indivíduos fracos de espírito (nota: sobre a indústria do desporto falarei numa oportunidade futura) e esse é um ponto que joga a favor da IBA. De qualquer forma, vir a público fazer queixas, choradinhos e lavar a roupa suja? Mas estamos onde? Na Rua Sésamo?
O que também não percebi foi o apelo frontal e direto à GoPro. Porquê especificamente a GoPro e não outra marca qualquer? Ou então alguém que me explique o motivo para apelar apenas à GoPro e não a várias marcas em simultâneo? Foi no mínimo estranho apostar todas as fichas no mesmo cavalo...
Mesmo assim eu até acredito que o buzz gerado tenha sido genuíno e partido de uma atitude a quente, mas da forma como tudo foi feito não deixou de levantar dúvidas. Basicamente, dúvidas se esta teria sido uma situação encenada e/ou estratégia pura e dura das regras de marketing. Essa parte vou deixar para vocês analisarem.
Uma coisa é certa, depois dos dias de incerteza e enorme ansiedade que reinaram, os bodyboarders e a GoPro criaram uma afinidade difícil de romper nos tempos futuros. Seguramente, tal irá traduzir-se na entrada de vários milhões de dólares nos cofres da multinacional americana. Mas tudo bem, agora já somos 'a friendly sport' e o enriquecimento da GoPro terá que significar, obrigatoriamente, também mais dinheiro para o bodyboard e a World Tour da IBA.
Em suma, o facto da comunidade internacional de ter unido em prol de um objetivo comum, uma vez mais, e da prova ter sido salva em apenas 4 ou 5 dias, só vem provar a (real) força do bodyboard. Apesar de toda a espetacularidade de que tem dado provas nos últimos anos, o desporto continua frágil. Só mesmo uma comunidade coesa seria capaz de um feito destes.
E, por isso, meus amigos, estamos de parabéns!
A. Fonseca
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Publicado em 14/02/2013, 18:01.
Fotografia: João Gaião (num frame conseguido com uma GoPro).
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