O Pacífico alberga algumas das melhores ondas no mundo e a costa este das Filipinas são banhadas por este oceano em toda a sua extensão. Num certo período do ano fortes tempestades tropicais assolam o país, transformando-se por vezes em tufões. Esta época, denominada pelas gentes locais de Habagat, é ideal para partir em busca de ondas que são formadas por fortes ventos ao largo da costa. O offshore e a inconsistência de swell são garantidos, mas quando as ondas aparecem estamos perante um dos melhores sítios do globo. Ao mais puro estilo dos descobridores de outrora, todos os anos vários amigos metem-se à estrada em busca de glória e acção.
Cloud 9 teve um sabor agridoce, mas foi sempre mais que apetecível uma vez que é uma das minhas ondas favoritas. No que concerne a turismo do surf é, sem dúvida, o maior cartão de visita das Filipinas. Por norma, raramente volto a locais já visitados, mas, como diz o ditado, há excepções à regra e esta é uma delas. Há muito que desejava regressar, pois a onda é perfeita para bodyboard: uma direita tubular que termina com uma boa secção para o ataque aéreo. O único senão nos dias que correm é mesmo o crowd, pois a zona mudou muito desde há cinco anos. O número de praticantes locais aumentou exponencialmente, bem como os surfistas que visitam a ilha. Dantes eram poucos os locais que realmente surfavam bem, mas actualmente existe uma mão cheia que começa a ganhar consciência do que é o localismo e joga com esse factor ao máximo. Assim como aumentou o número de praticantes, também disparou a quantidade de estruturas em betão, profanando de certa forma um local que era simplesmente mágico. Eu sabia que aquilo não ia ficar parado no tempo, pois em cinco as coisas evoluem, mas nunca esperei que fosse tão rápido. A onda, essa, continua de classe mundial, até porque foi a única coisa que não mudou. Gostei da sensação de déjà-vu quando entrei na água pela primeira vez e observei o local enquanto remava em direcção ao pico. Os pormenores estavam todos escondidinhos num canto da minha memória... tudo bateu ainda mais quando os locais reconheceram o meu rosto e começaram a cumprimentar-me. Lembraram-se, inclusive, da alcunha que tinha ganho na estadia anterior, o que me fez sentir como se nunca tivesse saído de lá. Estava de volta e a ser brindado com uma das melhores temporadas de sempre. Os dias pequenos deixaram-nos a todos num estado de loucura iminente, tal era o crowd, mas os dias maiores revelaram o melhor de Cloud 9. – Nunito Cardoso
Ao consultarmos a net reparámos numa tempestade enorme que estava a formar um swell que ia atingir, sobretudo, uma remota ilha que eu já conhecera da viagem anterior. Nela jaz uma das melhores direitas do mundo. Após a viagem de avião, seguiu-se hora e meia numa carrinha pela selva adentro, entre montes e vales... e eis que finalmente avistámos a baía onde a tal direita vive e respira. Quebrava absolutamente perfeita sobre uma bancada de coral vivo e afiado, com 1,5 metros e sem vivalma por perto! Apressámo-nos a arranjar uns bungalows, mesmo em frente ao pico, e ao longo de uma semana usufruímos de condições que variaram entre o metro e os três metros. Situada numa baía enorme, quase virgem, plena de vegetação, faz um contraste perfeito com o azul cristalino da água quente. Uma mão cheia de locais partilharam as ondas connosco. Se o paraíso existisse era ali! - Miguel "Spoon" Soares
Assim que saí da moto e tirei a prancha do ombro, vi a ponte de madeira que só conhecia de filmes e fotos. O sol da uma da tarde batia de chapa no mar transparente e cristalino, enquanto a brisa offshore não deixava ouvir o set de dois metros que acabara de quebrar. Estava clássico, rolavam direitas perfeitas com tubos que davam bafos bem convidativos. Nem quis acreditar no que os meus olhos viam, foi um misto de adrenalina e ansiedade junto a um nervoso miudinho que ainda hoje sinto quando recordo essa visão. O que mais me impressionou foi não haver ninguém na água! -Paulo Aragão
As Filipinas conquistaram-me o coração. Foi uma viagem a varrer o desconhecido, mesmo ao meu estilo. Foram várias as ilhas que cruzámos nesta viagem de mês e meio, fazíamo-lo de moto, de barco, de avião, de “habal habal” ou de jeepneys. O importante é que nada parava a vontade de encontrar a onda perfeita sem crowd. Vimos muitos recifes, baías, cantos e recantos onde possivelmente ainda estará escondida a onda de sonho. A dureza sentida em alguns momentos só veio acrescentar um sabor especial, pois uma boa viagem perde o seu efeito se nos der tudo de mão beijada. É muito mais gratificante se for conquistada. -André Lúcio
KIT SURVIVAL
População: 96.061.683
Moeda: Peso Filipino (1 Euro = 65 PHP)
Língua: Filipino e Inglês
Clima: Tropical húmido
Oceano: Pacífico
Custo: *
Crowd: ****
Paisagem: *****
Melhor época: Julho a Novembro
Refrigerante: 0,40 euros
Garrafa água 1,5L: 0,50 euros
Aluguer mota: 7 euros/dia
Dormida: 4-6 euros/dia
Refeição leve: 2 euros (em média)
Dica: Respeita os locais e o ambiente. O horário dos transportes está sujeito a demoras e mudanças devido às características atmosféricas da época. Em certas ilhas os transportes e a comida são limitados e escassos. Os filipinos adoram karaoke. Basquetebol e o boxe são os desportos de eleição. Obrigatório visitar as Sohoton Caves.
Recomendação: Actualiza o boletim de vacinas e consulta um médico de medicina tropical; Leva protector solar, óculos de sol, boné e repelente de insectos; Ingere apenas água engarrafada; Leva kit de primeiros socorros com antibióticos, analgésicos, anti-diarreicos, betadine, pensos, gases esterilizadas, etc.; Leva óculos e tubo de mergulho e sê bem-vindo ao paraíso.
Preço passagem aérea: + - 850 euros
Para ver a reportagem completa consultar a Vert98
Partilhar |